segunda-feira, 23 de maio de 2011

Bora lavar a alma?!

Por Mik

Comecei a me dar conta que a Índia deixou(?) de ser novidade para nós.
Sempre tive a sensação que só escreveria posts no blog quando os fatos fossem realmente interessantes. Me dei conta que alguns fatos deixaram de ser interessantes para mim, mas não deixam de ser interessantes para vocês que não vivem a Índia 24 horas.
Se já nos sentimos em casa, ainda não sei... mas o dia a dia aqui faz com que o estranhamento seja cada vez menor.

A Dri Lima me fez pensar sobre isso.

Como vocês sabem, sempre coloco algumas fotos no facebook falando das nossas viagens. O último álbum foi das "férias" de 5 dias em  Goa.
Johnson tirou uma semana de férias e resolvemos passar alguns dias por lá. 

Tomar banho de mar. Lavar a alma!

Bem... quem mora/vive na Índia sabe que o mês de maio é muito quente. 

Qual foi o pensamento do casal?!
"Reservar passagens e hotel. Partiu Goa!"

Agora faltou dizer que além do mês de maio ser muito quente, é o último mês antes da monção chegar.... e assim como alguns contam A.C (antes de Cristo) e D.C (depois de Cristo), aqui na Índia contamos A.M (antes da Monção) e D.M (depois da Monção). Com a devida exceção para alguns lugares como Bangalore, que como conta a Maria Clara e a Gaby, tem o clima completamente diferente da maior parte da Índia.

mas sim... o calor, o mar e Goa.

Normalmente o turismo em Goa acontece entre outubro e abril. Já que as monções duram de junho até setembro, com seu ápice entre julho e agosto. 

Logo... Goa + maio + casal godinho = Piscina

Sim! Goa tem praia, várias delas, mas toda e qualquer estrutura próxima ao mar, onde você pode ir de biquíni ou sunga, entrar na água e depois voltar para pegar um sol amigo.... só acontece em meados de outubro a abril. Quando o turismo acontece na Índia.

Realiza a cena...

Você acorda, coloca o seu biquíni, a canga, a esteira, o protetor solar na bolsa e vai tomar seu café da manhã para logo em seguida ir à praia.
Chega lá e cadê? Cadê que você consegue entrar no mar?

Goa é uma cidade turística. Como em maio não tem nenhum turista (estrangeiro) na cidade e a monção está próxima... Goa fica sem nenhuma estrutura para turistas de biquíni e sunga curtirem uma praia.
Mas vc pode "curtir".... se topar entrar de sari (roupa dos pés à cabeça) e não tomar sol... 

Vai vendo! 

Não chegamos a lavar a alma, mas falei com mamãe, acalmei o coração e voltamos para Mumbai. Afinal, a Índia deixou(?) de ser novidade.
 

#not

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Shout at me(!)

Por Mik

Preciso contar a história da Neenna e do Personal Trainer, eu sei... mas hoje aconteceu algo tão curioso que não poderia deixar passar. Vocês precisam saber!

Como eu contei, agora estamos com Helen. Nossa nova ajudante do lar.
Helen é indiana, cristã, separada. Tem um filho, já casado. Mora sozinha há duas horas da nossa casa.
Dia 14 de fevereiro ela veio para entrevista de emprego aqui em casa. A Nádia (uma querida) veio para me ajudar. Como meu inglês não é dos melhores, ela veio me dar uma força.

Importante dizer que aqui os empregados domésticos não possuem qualquer direito previsto por lei. Acho mesmo que por esse motivo eles se sentem no direito de ir e vir quando quiserem.

Fizemos a entrevista. Combinamos os dias, as tarefas, e um mês de experiência. Ela gostou do salário e dos abonos.

Mas frisei: Sabendo que você mora longe da minha casa, por favor, SÓ venha dia 16 caso queira trabalhar aqui.

Ela veio e segue vindo nas segundas, quartas e sextas para arrumar a casa, e nas terças para passar roupa e lavar a louça. Às vezes trocamos o dia de passar roupa de terça para quinta. Tem funcionado.

Ontem foi uma das quintas que ela veio passar roupa.
Então começou a história...

Helen, ao lavar a louça, quebrou um dos meus pratos. Normal! Quem nunca quebrou alguma coisa ao lavar louça?! 
Ela me pediu mil e muitas deculpas. Afinal sabia que o prato fazia parte de uma coleção.
Expliquei que não tinha problema, que esse tipo de coisa acontece. 
Pedi que tivesse cuidado das próximas vezes. 
Ela disse que teria, e ficamos por isso mesmo.

mas hoje, ao limpar a casa, ela me chama:

H: Sra. preciso lhe mostrar algo
M: Sim Helen, já vou.

quase chorando Helen olha pra mim e me mostra o meu suporte de velas do Ganesh quebrado

Contextualizando....

Na Índia é muito comum ter um ganesh na porta de entrada das casas. Normalmente ele fica do lado de fora, ao lado ou encima da porta, de forma a afastar os males, trazer sorte e fortuna para as famílias.

Aqui no nosso prédio, isso não é permitido. Então as pessoas colocam o Ganesh logo na entrada de suas casas.

Entrada da nossa casa

Aqui em casa fizemos assim... Colocamos uma plantinha, uma foto de ganesh e um suporte (vermelho) com uma vela. Esse suporte, quando está com a vela acesa, fica com a imagem de Ganesh. Uma lindeza! 

Voltando...

H: Sra. não sei como pôde acontecer. Mas eu estava limpando e olhando para a foto do Lord Ganesh e o suporte quebrou na minha mão.

Sim... eu fiquei chateada, mas nem tanto. Tenho outro no armário que está fechadinho.  

M: Tudo bem Helen. Esse tipo de coisa acontece. Só peço que tenha mais cuidado. Ontem você quebrou um prato, hoje quebrou o suporte.
H: Sim, Sra. Mas me diga aonde comprou. Posso tentar achar e comprar outro. (desesperada)
M: Não se preocupe Helen.
H: mas Sra.?
M: Helen, você fez por que quis fazer?
H: Não.
M: Então só lhe peço que tenha mais cuidado da próxima vez.
H: Sim, Sra. Terei.
M: Você está preocupada com alguma coisa que está lhe deixando nervosa?
H: Não Sra.
M: Então tenha mais cuidado, ok?
H: Sim, Sra.

Ela continuou a fazer o serviço dela, quando 5 minutos depois ela volta e me diz:

H: Mam, you need shout at me!
M: What?
então ela repete...
H: Mam, you need shout at me!
M: O quê? Desculpe Helen, mas eu preciso o quê? Não estou entendendo o que você quer dizer.

Nessa eu já estava achando que ela queria que eu a chicoteasse. 
Pedi para ela respirar. Ela parecia que ia desmaiar na minha frente de tanto nervoso!!

Então ela me diz:

H: A Sra. precisar ter raiva de mim quando eu quebro alguma coisa na sua casa.

Então Mik respira fundo e pensa tão rápido quanto foi o susto que levou e diz...

M: Como assim eu preciso ter raiva de você? Você quebrou sem querer, certo?
H: Sim
M: Então não tem com o que se preocupar. Só procure ter mais cuidado.

Então ela me vem com a seguinte pérola....

H: A Sra. é boa demais. Me dói por dentro. Me sinto mal por quebrar algo em sua casa e a Sra. não gritar comigo.

Respira denovo Mik!!

M: Helen... eu não sou indiana. Eu sou brasileira. Nem eu, nem meu marido iremos gritar com você porque você quebrou algo. Posso chegar a sentir muita raiva caso você quebre algo importante para mim ou para o meu marido, mas mesmo com muita raiva não irei gritar com você. Só quero que você se acalme e tenha mais cuidado quando for limpar a casa, ok? 

Ela abaixou a cabeça e continuou o serviço dela.
Acho que ela se convenceu. Mas passou o dia de cabeça baixa.
Quando o Johnson chegou para o almoço contei o que aconteceu. Ele, tanto quanto eu, não acreditou na situação.

Choque cultural ou um simples costume local, não sei.... mas estou chocada até agora com a atitude da Helen.

No final ficou a dúvida...
Será que ela vai nos deixar porque não briguei com ela como ela esperava?!?!

Vai vendo!


quarta-feira, 23 de março de 2011

Comunic(ação)!

Por Mik

Posso dizer....
Tenho me virado melhor, eu acho.



A nossa primeira ajudante do lar, se chamava Neenna. Ela sumiu. (conto a história dela depois)
Mas antes dela sumir, ela passou na Society para arrumar alguém que pudesse vir aqui em casa  limpar as janelas, por fora. Afinal moramos no 20º Andar e não queremos ninguém praticando o jump.
No dia seguinte que a Neena passou no Society, vieram 3 indianos aqui em casa. Um falava inglês, os outros dois... só Hindi.
Mostrei as janelas e o rapaz disse que poderia limpá-las por 600 rupias. Isso era uma segunda-feira. Pedi que ele viesse na quarta, pela manhã. Assim Neenna estaria em casa e me ajudaria caso eu precisasse de explicar algo ao rapaz.
Na terça-feira comentei com a Neenna sobre o preço e ela me disse que estava muito caro. Que ele deveria baixar o preço, afinal eu queria alguém para vir uma vez por semana.
Bem.... não cheguei a comentar com o rapaz que seria uma vez por semana. Antes eu queria ver se ele trabalhava bem. Mas depois do que a Neenna me disse.... pedi que ela fosse ao Society novamente e conversasse com o rapaz a respeito do preço.

Detalhe: O mesmo serviço, para quem não é estrangeiro e que fala hindi é 300 rupias.

Quarta-feira e....
Surpresa!!! A Neena sumiu e o rapaz que deveria vir na quarta pela manhã, não veio. Foi aparecer na quinta a tarde.
Sem falar Hindi, tentei explicar que ele deveria vir pela manhã e quando a empregada estivesse em casa. 
Ele foi embora.
Então ele volta no sábado pela manhã. Entendi que ele não tinha entendido nada que eu tinha falado, então peguei o dicionário de Hindi e Urdu e apontei.... Quarta-feira - बुधवार , de manhã - सुबह. Ele sorriu e foi embora.

Presente da Mari e da Mavi

Na quinta-feira toca a campanhia. Era ele. Olhei pra ele, e com gestos disse: "ik minat (espere um minuto em Hindi)".
Fui e busquei meu computador. Coloquei na página do Google translate e pronto... mandei traduzir Português - Hindi. 
Pensei.... Agora vai!
A essas alturas a Neenna nunca mais tinha aparecido e eu precisava me comunicar com o rapaz que só sabe falar Hindi.
Depois de ter escrito mais de um parágrafo, explicando sobre o horário dele vir, o preço e quantas vezes por semana eu precisaria do trabalho dele.....
Ele chama o elevador e pede ajuda ao assessorista. 
Surpresa!!!
Além de não saber inglês, ele também não sabe ler. 
O assessorista riu um monte da cara do rapaz e não o ajudou. Afinal estava trabalhando.... 
O rapaz?
Esse foi embora e nunca mais voltou. 
De vez enquando eu o vejo quando estou indo para a academia.
Ele acena e dá tchau.

Vai vendo!!!

Vai morar na Índia??? 
Aprenda Hindi para falar com os seus ajudantes.


Choque cultural(?)

Sim, eu sei... 
Uma vergonha ficar tanto tempo sem escrever.
Mas preciso confessar.... 
acho que no facebook interagimos tanto mais, que acabo nem escrevendo os causos aqui.

Pois bem.... depois de mais de 3 meses em jejum, vorti.... e agora pra ficar! 


Vou começar com a história que aconteceu a mais ou menos 1 mês atrás. 

Bem.... em cada prédio em Mumbai temos o que eles chamam de Society. Algo que se parece com administração do condomínio. 
Para se morar no prédio, os diretores da Society fazem uma entrevista com o possível locatário. Digo possível porque você até pode ter acertado com o dono do apartamento que irá alugar o imóvel, mas se a Society não for com a sua cara... já era!  
Nesse meio.... o corretor do apartamento nos disse: "Não se preocupe com essa reunião. Eles só precisam ter certeza que você não é negro, nem mulçumano." 

Oi?

Sim! Sociedade preconceituosa que não aceita negros e/ou mulçumanos morando no Jolly Maker 1.

Pois bem... O que chamamos de síndico, eles chamam de Presidente da Society. Normalmente um figurão com muito dinheiro, que embolsa boa parte do dinheiro da Society. Temido por muitos, ele se acha o dono do pedaço.... e deve ser mesmo, mas lá pras bandas indianas, não dentro da minha, brasileira, casa. 

Vou contar...

Sem sabermos ao certo como, o presidente da Society descobriu que novos servidores virão para o consulado. Logo, logo, chegarão para morar em Mumbai... por alguns anos.

Falei que a Índia se parece com cidade de interior? Do tipo que todoooosss sabem da sua vida?
Pois então... é pior!

Sabendo da chegada do pessoal, o Pres. da Society começou a ligar, insistentemente, para o Johnson, até conseguir marcar um encontro e então mostrar os apartamentos (dele) que estão para alugar. Depois de inúmeras explicações, Johnson foi vencido pelo cansaço (habilidade - irritante - indiana) e marcou de ir ver o apartamento que é ao lado do nosso prédio, num domingo!
Com a desculpa de que era perto da nossa casa e ele ainda não havia me conhecido, esse ser humano (?) veio bater na nossa porta para buscar o Johnson e, lógico, me conhecer (?).

Toca a campanhia.... 
Mik, super gentil e educada, abre a porta. 
Ele entra. 
Pedi que sentasse para conversarmos. 
Ele, não só, se recusa, como diz que precisa olhar toda a minha casa, "afinal é a primeira vez que venho aqui". 

Imagina a cena....

Enquanto ele fala isso, ele vai entrando e perguntando o que é nosso na casa e o que é do proprietário.

Oi?

Entra no nosso quarto.... (TODO bagunçado, afinal era domingo e eu não iria receber o suposto Sr. Indiano no meu quarto, né?)

Quando entra no meu quarto, abre a porta do meu banheiro, olha dentro e vai seguindo, andando pela casa, conhecendo todos os cômodos...

Eu e Johnson completamente atônitos. 
Confesso, não consegui, sequer, pensar em mandar ele a merda.

Quando chegamos na sala, ofereci um chá.
Mik educada: "Vamos sentar, preparo um chá para o Sr."
Ele aceitou?
#NOT

Ele se meteu na minha cozinha e disse que ELE faria o chá.
Perguntou onde estava o leite, a água e quais chás eu tinha para oferecer (?!?)

Oi?

Enquanto eu mostrava a minha caixinha de chás e ele falava...
"Mas você não tem chá masala?"

Oi?

Eu dizia: "Não, mas tenho esses que são muito bons. São chás da Twinings."

Ele não conhecia. Mesmo assim pegou minha chaleira, colocou dois saquinhos de chá de limão com gengibre, colocou água, colocou açúcar, colocou leite e ligou o fogão.

Sim! O %$¨$#@ mexeu na minha cozinha a primeira vez que veio na minha casa!

Acha que acabou?

O chá ficou pronto, ele foi pra sala e ficou esperando que eu servisse o chá para ele e para o Johnson.
Sim!!!
Levei o chá com uns biscoitos que a Laure nos deu.
Enquanto bebíamos o chá, ele dizia....

"Precisamos nos ver sempre!!!
Agora serei o seu irmão mais velho, Rafael.
Não podemos ficar mais de uma semana sem nos ver."
#medo

Ele terminou o chá, se levantou e foi embora com a promessa de que iria nos trazer um Chicken Biryani. Afinal precisávamos provar a comida local feita por quem sabe fazer. A empregada dele!

Queridos...
Não sei se foi choque cultural, mas que foi muito ruim, do tipo constrangedor, passar por essa situação... isso foi!

Nunca tinha visto o cara! 

Depois de tudo isso, conversei com uma conhecida indiana que me assegurou que não foi choque cultural, foi falta de respeito mesmo.

Filho da P!!

Hoje ele segue nos ligando e querendo um novo encontro.
Deus que nos livre desse encosto.

Imagina... Se no "1º encontro" ele já foi entrando no meu quarto na maior naturalidade, imagina no "2º encontro"?!  Vai tirar uma soneca na nossa cama depois de comer o Chicken Biryani?!

#NOT!!

sábado, 13 de novembro de 2010

Vai vendo...

Por Mik

Queridos, para quem quiser se aventurar nas leituras que me fazem entender um pouco mais sobre a Índia... coloquei link em todas as palavras importantes, ok?

Tudo começou no dia 06.11, quando comecei a escrever o post...

E o obama chegou!
Quantas notícias...Obama, terrorismo, mudança, enxaqueca, diwali, lakshmi... Pensa que é fácil morar/viver na Índia?!
Mudamos dia 03.11, dia muito auspicioso para mudar, disse uma das funcionárias do consulado para o Rafael.

"O Sr. é um homem de muita sorte! Muito auspicioso mudar hoje. Eu não consegui... Agora terei que esperar mais um festival para poder me mudar. (...) Hoje é o melhor dia para fechar negócios, comprar objetos caros,  iniciar novos projetos... Todos os negócios feitos hoje, serão negócios de muito sucesso."


Como parte do ritual, todos saem às ruas para comprar algum objeto metálico para sua cozinha. Algo que represente a prosperidade, a riqueza... como sinal de boa sorte para família.

Pois é... depois de muitas agonias e um blog lacrado... agora conseguimos não só a liberação do dinheiro para o pagamento do aluguel, mas também mudamos no melhor dia do ano hindu.

Só que não foi tão fácil assim...

No dia que escrevi o meu último post... o dinheiro saiu, só pra me contrariar... ainda pensei: "Deveria ter escrito essa M antes..." 

Enfim... coisas do cosmos... vai entender...

A casa era nossa, só tinha um detalhe... o cheque que entregamos para uma das donas do ap não era para o quarta 03.11 e sim, para segunda 08.11.
Como o dinheiro tinha sido liberado, mas não tinha sido transferido para conta de Mumbai...  achou-se mais prudente colocar a data de segunda. Vai que o indiano deposita  o cheque e ele muge?!?! 

Mau negócio... os indianos precisam venerar o cheque no dia de Dantheras, eles precisam venerar contratos, cheques, dinheiro...no Diwali! 

Ps.: Dantheras ou Dhantrayodashi é um dia de grande importância para os comerciantes e empresários hinduístas. É o dia em que são desenhadas pegadas na frente das casas, das lojas, no comércio... simbolizando a entrada da deusa Lakshmi. Dia em que são acesas as Diyas para afungentar os maus espíritos.


Diyas

Kolam












Pensando bem... 
Vamos para uma breve explicação sobre o festival...

São cinco dias  de comemoração e todos giram em torno de um maior, o Diwali.

No primeiro temos o: Dantheras
No segundo temos o: Narka-chaturdashi ou Choti Diwal
No terceiro temos o: Diwali
No quarto temos o: Padwa ou Bestavarsh do Ano Novo
No quinto dia e final do festival de Diwali... Bhai duj

O Diwali também é conhecido como festival das luzes, e tem um significado espiritual muito importante, que é a consciência da luz interior. 
Para os hinduístas é a afirmação de que há algo para além do corpo físico e da mente... que é puro, infinito e eterno, chamado de Atman.
Assim como nós celebramos o nascimento do nosso ser físico - aniversário (viu Zanza)... O Diwali é a celebração da luz interior, aquela que ofusca todas as trevas, remove todos os obstáculos e dissipa toda a ignorância, despertando o indivíduo para sua verdadeira natureza, não como o corpo, mas como infinito, imanente e imutável.

Rama - Sita - Laxman e Hanuman


O significado mais tradicional desse festival, tem origem no Ramayana.
Quando se comemora o retorno do Rei Rama a Ayodhya.
Rama seria a reencarnação do Deus Vishnu, sendo o filho mais velho do Rei Dashrath, na linha direta da sucessão ao trono. 
Ele é enviado para o exílio por 14 anos, cumprindo a promessa do Rei à uma das Rainhas - Kaikeyi. 
Rama é acompanhado pela sua esposa Sita e pelo irmão Laxman, e após várias vitórias em batalhas, que simbolizam a eterna luta entre a clarividência e a ignorância, acontece seu tão esperado retorno ao povo de Ayodhaya. 
Na noite da sua chegada acendem-se diyas  Rama. O adorado senhor, corajoso e dedicado ao seu povo e aos valores religiosos, é recebido com diyas para iluminar a noite escura, de forma a afastar toda escuridão do seu caminho.

Temos ai, parte do festival.

Enquanto a história por trás Diwali varia de região para região, a essência é a mesma... alegrar-se em Atman, ou na realidade subjacente de todas as coisas... Brahman.


Aprendi que estar com as Diyas acesas e com o Kolam desenhado na porta de entrada, significa muito mais do que a entrada da fartura, da sabedoria, da coragem... no dito popular, significa o triunfo do bem sobre o mal!

Só que mudar num dia em que todos saem de casa para comprar os seus objetos metálicos, pode não ser um dia muito auspicoso para arrastar o sari  firangue no mercado... mas como eu precisava de material de limpeza, afinal não tinha a menor condição de usar o banheiro sem dar uma lavadinha... lá fui eu arrastar meu sari no mercado. 
Péssima idéia!
Se o trânsito de Mumbai é um caos, no dia de Dhantera é 10 vezes mais. Levei 1 hora para fazer um caminho que normalmente fazemos em 20 minutos.
Quando chegamos ao shopping - porque a maioria dos super mercados ficam nos shoppings - surpresa! High Street Phoenix estava completamente lotado! Incredible India!! 
Happy Diwali!!
O supermercado estava pior que o Extra em véspera de natal. 
Quem manda ser do país que mais gasta em material de limpeza?
Quem manda ser obcecada por limpeza?!?!
Ok. Depois de 2 horas dentro do mercado consegui comprar os materiais de limpeza e entrar numa fila para pagar as compras.
Mais 40 minutos de fila, e finalmente consegui sair do mercado.

Ps.: Ainda deixei um senhor passar na minha frente... isso porque pediu,  gentilmente, já que tinha comprado só dois copos metálicos... para o Diwali.
 

Nessa hora meu pescoço já não sustentava minha cabeça, tamanha era a enxaqueca que eu sentia.

Enfim... comprei o material de limpeza e não esqueci o danado do objeto metálico.
Afinal... não podia deixar que uma "simples" enxaqueca acabasse com o  meu/nosso dia auspicioso... 

Comprei um suporte metálico para o papel toalha...  :P


Vai vendo!



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Resiliência?!?

Por Mik

Hoje, quase vinte dias depois do último post, venho contar um pouco do que tem acontecido.
Não escrevi antes porque ando tão de saco cheio, que pensei... ninguém merece ler lamúrias!
Mas preciso compartilhar a angústia que não vem de uma relação indiana, da qual fomos tão avisados para que tivéssemos cuidado.
Minha angústia está totalmente direcionada a um sistema brasileiro que não está nem aqui, nem ai, para seus cidadãos que moram no que eles chamam de país de posto D.
Para quem não sabe, aqui fala o lado leigo da relação (eu), o Itamaraty divide seus postos (países, cidades pelo mundo a fora) em 4 tipos. A, B, C e D (relativamente proporcional a uma escala de A = importância estratégica/ ótima qualidade de vida; até a D ="péssima" qualidade de vida. Alguns postos são categorizados "pra baixo" por serem muito caros, o que ajuda o servidor a não se ferrar.

Pois saibam, estamos num país posto D!

Quando chegamos nos foi dito: Tudo na Índia é muito lento e num tempo por vezes bastante particular. Tenham muita paciência

Com os indianos NÃO tivemos UM ÚNICO problema em 3 meses de Mumbai... talvez pelo aviso excessivo, nos preparamos para tal. 
Já com o sistema brasileiro, o qual deveria prezar pela qualidade de vida dos seus cidadãos que por ele trabalha fora do Brasil.... esse está presando a nossa vida.
Estamos há exatos 3 meses e 18 dias vivendo dentro de um pequeno quarto de hotel. 
O fato de não ter janelas, não tem sido mais um grande problema, já que o Johnson vai ao trabalho todos os dias e eu, as vezes, desço para pegar um ar. 
O que tem me enlouquecido é que após vários (3) envios de documentos para Brasília, várias (10) ligações para Brasília e vários (3) emails enviados solicitando um esclarecimento, uma posição, uma M de sinal sobre o que está acontecendo... NINGUÉM, absolutamente NINGUÉM, consegue nos dar uma resposta.

Sempre quando falamos com Brasília ouvimos: Então tá! quanto mais eu falo com você, mais demora para sair o seu. Tchau!
Só faltou o cara dizer: Beijo e não me liga! 
PQP mil vezes!!!
Gente!!! O negócio é sério!
Não sabemos se o contrato está de acordo com as normas, não sabemos se está faltando algum documento, não sabemos se o dinheiro será liberando ainda esse ano! 

Detalhe: Em um país de posto D, o Itamaraty paga o valor integral do aluguel. Em outros países apenas uma parte.

Além disso, os donos do apartamento exigem uma posição, a qual não podemos dar, de quando o dinheiro será pago.
Isso suja não só o nosso nome, como o nome do governo brasileiro! Afinal eles estão (?) alugando o apartamento para o vice-cônsul do Brasil em Mumbai.

Mas o que é a relação diplomática do Brasil com a Índia não é mesmo?!?! 
Como diria o povo de BH... duas coisas: Bosta Nenhuma, considerando a falta de respeito com a qual temos sidos tratados pelo Itamaraty.

Quero deixar claro: O meu incômodo não é com a demora do envio do dinheiro, que também é chato, mas sim com a falta de respeito e respostas que não nos são dadas pelo Itamaraty na forma do funcionário encarregado pela questão.

Problemas todos têm, mas falta de respeito é algo que cabe  apenas  à uma parcela da população que não entende que resiliência também tem limite!

Pronto falei!

Ps.: Johnson pede pra dizer que só irá escrever no blog depois que nos mudarmos... então, para quem tem esperado os posts sentado, pode deitar!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quer saber?

 Por Mik

 Na minha graduação, tive uma professora que muito me ensinou sobre como fazer pesquisa e como não deixar escapar os detalhes quando estivermos in loco. Nessa mesma época conheci o famoso "sebinho". Chamávamos assim o diário de campo. Afinal ele deveria ficar sempre embaixo do braço, para que não se perdesse nenhum detalhe!
Agora vivendo no oriente, mais precisamente Mumbai-Índia... resolvi resgatar o sebinho e começar novas anotações. Não no intuito de virar um livro ou quem sabe um filme - Eat, Pray, Love (vai vendo!), mas sim, para auxiliar os nossos futuros visitantes, em terras tão, tão distantes e com uma cultura tão particular - eu diria.

Vamos ao que chamo de universo paralelo... Índia!

Trânsito na Índia
1. Trânsito. Com a colonização inglesa, a Índia herdou a mão inglesa. Entretanto, só isso mesmo. O trânsito é totalmente caótico. Ainda estou tentando descobrir para que servem as faixas de pedestre e os sinais de trânsito aqui na Índia. De fato não tem a mesma função  no  Brasil - na pior das hipóteses.
Se a rua é larga e tem 3 faixas, pode ter certeza que teremos ao menos 5 carros um ao lado do outro. Isso sem contar os richshaws, as bicicletas, as motos, os caminhões, os ônibus, as vacas e as pessoas... Sim! As pessoas estão entre os carros, assim como os carros estão em 2 faixas ao mesmo tempo. Não existe lógica no trânsito indiano, e se existe, ainda não descobrimos.

 
Richshaw
 
A Gabi, uma amiga do Johnson que morou alguns bons meses em Bagalore - Índia, desenvolveu uma excelente tática para atravessar a rua.
Em seu blog ela diz: "a regra é esperar os motoristas notarem sua existência e se jogar como uma vaca na pista pra atravessar a rua"
Achei ótimo e resolvi reproduzir. Fato! Funciona que é uma beleza, só tem que tomar cuidado com os motoristas que beberam um cadim além da conta.
Detalhe: País/cidade da meditação?? Calma?? Reflexão?? 
Como diria a Gabi, "uma mão vai na marcha e a outra na buzina". Aqui funciona assim: "Buzine por favor!!"

2. Mãos dadas. Mulheres não andam de mãos dadas com seus companheiros na rua, mas os homens andam de mãos, braços e olhares dados com seus amigos... 
Aqui temos guarda de efeito moral. 
Há alguns meses aconteceu um grande evento em Mumbai - o casório em massa! Os guardas sairam "catando" os casais que estavam se beijando em espaço público e "efetivou" o casamento. Tudo isso com o consentimento da família.
No caso dos casados, é considerado ato de atentado à moral e aos bons costumes: abraços, beijos e mãos dadas em público.
Então... beijos e abraços a beira mar, nem pensar!
Até mesmo porque, o cheirinho do mar de mumbai... não vale a pena. Lembra do banheiro a céu aberto?
Vai vendo!

3. Roupas. Mulheres não andam com os ombros descobertos. Na verdade, mulheres que não sejam mulçumanas (aqui têm muitas), só deixam aparecer a barriga e, as vezes, a canela. Já que andam de sari e sandálias. Quando não estão de sari, usam calças de tecido - algodão, batas - que vão até os joelhos e uma dupatta - tipo um xale que vai no pescoço. Quanto mais coberta, melhor.
Tive alguns problemas no início, afinal trouxe apenas 2 camisas que vão quase até o joelho. Mas já resolvi. ;)
Considerando que a Índia, de fato, é um grande paradoxo, algumas indianas são bem "ocidentalizadas". Andam de calça Jeans e camisetas, ou batas que não vão até os joelhos.
Também é fácil encontrar estrangeiras que andam com vestidos curtos e regatas aparecendo a alça do sutiã...
Bem, fica a critério do freguês. Se quiser que mexam, vista-se como quiser... Se não quiser ser incomodada, cubra ao menos os ombros com um camiseta de manga curta. Não é muito difícil, né?

4. Cumprimentos. Vários são os cumprimentos, mas tem algo que preciso dizer... Mulheres não dão beijinhos, nem dão a mão ao cumprimentar um homem indiano. Quem já passou pela europa, deve estar a par da falta de afeto no cumprimento. Nada de beijos, nem abraços. Mas aqui na Índia, tem mais uma observação, nada de cumprimento de mãos, ok? Apenas um balançar de cabeça, com a opção de dizer um Namaskar e pronto! 
 
5. Comércio. Não existe comércio fechado na Índia (Mumbai). Todo dia é dia. 
Aprendi que a possibilidade de fechamento segue a seguinte regra: 
Se o dono é hindu, possivelmente feche as portas nas terças e/ou quintas;
Se o dono é mulçumano, fechará toda sexta-feira;
Se o dono é católico, fechará aos domingos.
Com Johnson trabalhando muito, só nos resta os finais de semana para fazer compras... supermercado, eletrodomésticos, louças, enfim... Ainda bem que os hindus são maioria por aqui.

6. Visto. Todo brasileiro precisa de visto para entrar na Índia, e de registro pra sair.
Via de regra, se você vem para ficar mais de 180 dias na Índia, deve fazer o seu registro até 14 dias após a sua chegada. Caso contrário, ao tentar sair, eles vão dificultar ao máximo e chegarão a extorquir US$30 para que você saia do país "em paz".
Faço parte de um grupo do yahoo que relata causos de brasileiros que vieram  para Índia. Sempre leio histórias sobre brasileiros que foram extorquidos porque esqueceram de fazer o registro, ou porque não leram as letrinhas miúdas escritas no visto.
Além disso, temos ouvido dizer que o consulado da Índia tem passado o visto errado. Então, vários brasileiros que vem ficar menos de 10 dias na Índia, estão sendo obrigados a pagar US$30 porque não fizeram o registro ao chegar.
Fica a dica: Na hora de pedir o visto para entrar na Índia, tem que prestar a atenção para esse detalhe, ok? Qual visto eles estão passando? Será necessário ter feito registro para sair do país? 

Muitos chegam à Índia em busca de paz interior e relaxamento, e acabam saindo daqui "em guerra".

Acabei de ver que o post está enorme... vou deixar as curiosidades religiosas/culturais para o próximo. Quando falarei sobre Tilak, Sindoor e Bindi.

Saudade!