terça-feira, 17 de abril de 2012

Nós

Por Mik


Sabe quando o coração aperta e você achar que ele vai parar?
Sabe quando as pernas não respondem e você sente que precisa sentar?
Sabe quando os olhos enchem de água e você sente que precisa respirar?
Sabe quando você estende a mão e as coisas começam a escorregar?
É como tenho me sentido com a impotência da distância.

Meu irmão caçula sofreu um acidente de moto na última quinta-feira e está internado no hospital desde então. Nunca fui a favor da compra dessa "coisa", mesmo assim fui voto vencido, afinal a distância nos impõe certos limites, e um deles acaba sendo o de ouvir... "você até pode ser minha irmã mais velha, mas sou maior de idade e eu decido."

Alguns vão me dizer... "Mas ele está vivo!"
Então vou responder... "Bem, se você vive - apenas - com o seu botão do racional ligado... eu sinto muito por você quando ele 'estragar'!"

Sim, fazemos escolhas e sofremos as consequências delas.
Eu escolhi acompanhar meu marido, estou do outro lado do mundo, com 08:30hs a mais de fuso e com o coração do tamanho de uma azeitona sem caroço. 
Meu irmão escolheu andar de moto, mesmo sabendo as consequências dessa ação e hoje está internado no hospital.

Não entrarei no mérito do acidente porque isso diz respeito ao meu irmão que nos contará a história assim que ele ficar bom e sair do hospital.

Hoje ele faria uma cirurgia, mas pela mudança do seu quadro de saúde, ele teve que fazer nova transfusão de sangue, assim impossibilitando a cirurgia para a data prevista.

Por isso, gostaria de fazer um pedido a vocês...

Se sua religião permitir, 
Se você tem mais de 18 e menos de 60 anos; 

Se seu peso for superior a 50 kg; 



Doe sangue! Salve mais vidas, assim como muitos estão, hoje, ajudando a salvar a vida do meu irmão.

Para poder doar sangue, além dos requisitos que citei acima, você...


Se homem, deve ter doado há mais de 60 dias; Se mulher deve ter doado há mais de 90 dias; não estar grávida; não estar amamentando; já terem se passado pelo menos 3 meses de parto ou aborto;Se você não teve Hepatite após os 10 anos de idade; Se você não teve contato com o inseto barbeiro, transmissor da Doença de Chagas; Se você não teve malária ou esteve em região de malária nos últimos 6 meses; Se você não sofre de Epilepsia; Se você não tem ou teve Sífilis; Se você não é diabético; Se você não tem tatuagens recentes (menos de 1 ano); Se você não recebeu transfusão de sangue ou hemoderivados nos últimos 10 anos; Se você não ingerir bebidas alcoólicas nas 24hs que antecedem a doação; Se você estiver alimentado e com intervalo mínimo de 2 horas do almoço; Se você dormiu pelo menos 6 horas nas 24hs que antecedem a doação; Se você não se expõe ao risco de contrair o vírus da AIDS, tendo comportamentos como:* não usar preservativos em relações sexuais* Ter tido mais de dois parceiros sexuais nos últimos 3 meses
* usar drogas injetáveis 

Normalmente, antes da doação, você deve passar por uma entrevista de triagem clínica, na qual podem ser detectadas algumas condições adicionais que possam impedir sua doação. Após cada doação serão realizados os seguintes exames em seu sangue:

Tipagem sangüínea ABO e Rh; Pesquisa de anticorpos eritrocitários irregulares; Teste de Coombs Direto; Fenotipagem do Sistema Rh Hr( D,C,E.c,e) , Fenotipagem de outros sistemas; 
Testes sorológicos para: Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HIV (AIDS), HTLV I/II;


Ps.: Todas as vezes que você doar sangue serão feitos todos esses testes, e você receberá o resultado em cada doação.


Bem... a doação sanguinea é segura e não dura mais de 30 minutos. 

Doem sangue. Vamos ajudar a salvar mais vidas!

Meu irmão está num hospital público em Brasília que é abastecido pelo Hemocentro.



Fundação Hemocentro de Brasília

Endereço: SMHN Quadra 03 – Conjunto A
Bairro: Asa Norte
Cidade: Brasília/DF
Site: http://www.fhb.df.gov.br
E-mail: servicosocial@fhb.df.gov.br
Telefone: (61) 3327-4413 / 4424 / 4436





Mas se você não está em Brasília e mesmo assim gostaria de contribuir para essa campanha, segue um link com os endereços de todos os hemocentros espalhados pelo Brasil.



Faça parte! Ajude a Salvar Vidas!





sexta-feira, 2 de março de 2012

Úlcera...

Por Mik


sf (lat ulcera) 1 Med Perda de substância dos tecidos (pele, mucosa etc.), por processo endógeno, muitas vezes seguida de infecção por instalação de cocos, e que não tende à cicatrização. 


Podemos considerar a úlcera uma ferida aberta? Talvez. 

Ano passado uma indiana me disse: "A Índia é para poucos. Welcome to India! Você passou no primeiro teste." (ela também falava português)
Nesse dia eu tinha acabado de descobrir que uma pessoa que trabalhava para nós estava nos aplicando um golpe.

Antes de mais nada preciso dizer que respeito as pessoas que conseguem com valentia ou simplesmente na raça, lidar com questões como essas e pensar... 
"Mas no Brasil também é assim..."
"Malandro é o gato que já nasceu de bigode!"
"Você como brasileira já deveria estar acostumada!"
Bem, sou diferente. Talvez esse seja meu grande aprendizado.

Pois bem. A Índia me deu de presente uma úlcera. 
Sim, somatizei. 
De fato, a responsabilidade é toda minha. 
Mas vou te perguntar, quem sabe até vou me repetir...

Me diga... Como você conseguiria viver numa sociedade que para ser respeitado é preciso "ser mau"? (O "ser mau" é meu lado pollianna falando...)

Hoje estamos, mais uma vez, com problema com uma pessoa que trabalha para nós. 
Essa já não é mais a do golpe. Aquela mandamos embora.

Qual nosso problema agora? 
Temos uma pessoa que trabalha para nós de segunda a sábado, e já tem um mês que ela está fazendo corpo mole. 
Na última semana faltou 5 dias.  
#Preguiça!

Então você que gosta tanto de comparar as coisas vai me dizer... 
"mas isso também tem no Brasil!"

Então eu vou te responder... "De fato! Somos um País que comporta um grande número de preguiçosos, mas mais uma vez não dá pra comparar... Te digo o porquê.

Aqui o mais forte manda e o mais fraco obedece. Até ai nada de novo. Mas e se eu te falar que para ser forte tem que ser:
Arrogante, mal-educado, desumano e saber gritar?!
Não estou falando de ser inteligente, estou falando de ser forte.

Pois sim. Eu penso que se trato bem um funcionário meu, é porque respeito ele como Ser Humano e quero que ele se sinta bem para assim poder trabalhar bem. 

Então vem a Índia e me diz...
Pois não, Michelângela, você está errada!
Nada de tratar bem!
Dizer bom dia, boa tarde, boa noite?! 
Perguntar se está tudo bem?!
Dar um sorriso de agradecimento porque te ajudaram a carregar as sacolas?!
JAMAIS!

Seu funcionário deixará de fazer o que ele deve fazer e pelo que ele está sendo pago para fazer... para fazer o mínimo necessário com a cara mais amarrada do mundo... Como se estivesse te fazendo um favor.
E sabe por quê?
Porque você é uma fraca! Porque você não grita, porque você não o trata com arrogância, porque você não é mal-educada com ele! 
Seja soberba, e serás respeitada!

Sim. Esse é o grande motivo da minha úlcera.
Tenho uma ferida aberta, que logo será fechada, em no máximo 9 meses. (que meus amigos psicanalistas nem olhem pra isso...)
Somatizei, me responsabilizo por isso. Mas me recuso a aceitar que preciso maltratar para ser respeitada!
Continuarei sendo eu e rezarei a Deus que eu consiga aprender o que vim aprender aqui. Penso que nada é por acaso, e sei que a úlcera não apareceu do nada. Agora confesso....

Tá custando caro Ser Humano no País dos espiritualmente "mais" evoluídos. 


Ps.: A mesma indiana que me disse: "Welcome to India, você passou no primeiro teste", também me disse: "Honestidade? (risos) isso não existe na Índia!"

Esse caso foi só mais um exemplo, e não é o único. 

Ok, mais uma vez, sem generalizações... mas posso enumerar várias pessoas que fazem igual ou pior ao caso citado, mas prefiro dizer... eu hoje tenho uma úlcera e assim caminha a "humanidade" indiana!










quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Reflexões...

Por Mik

    Hoje um querido amigo de reflexões, ao comentar sobre o meu último post, me disse: "Após refletir um pouco, me dei conta de que isso não é nada diferente do que temos no Brasil." 

    Fato é que já havia pensado nisso enquanto escrevia o post. Quase não o publiquei, sem chegar a compartilhar com vocês. Mas ao mesmo tempo, pensei... "mas isso talvez não seja tão óbvio para o outro, quando começa a ser pra mim." então continuei escrevendo.

    Temos colegas que estão desse outro lado do mundo que ao compartilhar suas experiências, nos acalentam. Porque o primeiro pensamento é: "Nossa!! É bom saber que não somos loucos e que não sofremos sozinhos." 

     Sim... preciso dizer.... Realmente a Índia, pouco ou nada (?) se difere do Brasil no quesito roubo, corrupção ou malandragem. 
     Confesso, após quase dois anos de Mumbai começo a cansar de ter que entender tudo. Talvez seja precipitado dizer que cansei, mas ao mesmo tempo me lembro de uma amiga que diz... "Temos que mudar, ou seremos esmagados!"

      Mudar para mim hoje significa aceitar, não tentar entender tudo, não arrumar explicações para tudo, não ponderar tudo. Porque sou assim... Tudo pondero. Afinal... nada acontece por acaso, tudo tem um porque... não?! 

      A Índia tem me proporcionado isso... ou você muda, ou ela te esmaga. Porque uma coisa é você nos braços da sua pátria, reclamar, protestar e reivindicar pelos seus direitos. Outra coisa é você num país estrangeiro, querer e não poder fazer nada. Então ser, ser apenas um estrangeiro que não faz parte daquela família, que não faz parte daquele grupo, que não faz parte daquelas leis, e que - em nada - tem direito sobre aquele país.

       No início nos chocamos com a miséria, com a sujeira, com a falta de respeito pelo ser humano; num país dito tão espiritualizado. Depois de 4 meses decidimos mudar o foco, caso contrário já teríamos sido esmagados por 1,2 bilhões de habitantes, com seus costumes e suas tradições. Mas mudar o foco, aqui, não significa não enxergar, afinal somos seres humanos e sangue corre em nossas veias. E quando menos esperamos, num momento despercebido, num piscar dos olhos, pisam no nosso dedo mindinho.... 

    Bem... Quer viver A experiência da sua vida? Vem pra Índia você também... vem! (?!?!)
       
     Esse post é uma reflexão com base nas trocas que temos tido com esses colegas que estão, conosco, desse outro lado do mundo. Compartilhando, talvez, as mesmas angustias de cada vez enxergar como é sofrido estar só. Como é sofrido ter, ou não, que entender tudo. E de como é bom, talvez egoísta, poder dizer...

   Que bom que não sofremos sozinhos...

   Bjo com carinho 



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Índia ensina (?)

Por Mik


    Poucos sabem, mas para passar o tempo voltei a estudar francês.
    Sim... Tem sido uma boa experiência estudar francês com indianos, mas hoje quero contar sobre outro assunto, sobre o que aconteceu em uma das as aulas de francês... 

    Semana passada um dos temas da aula foi: "O estrangeiro e suas dificuldades." 
   A professora contou sobre as dificuldades que teve no período em que morou na França. Falou sobre sua adaptação a culinária, sobre o preconceito que sentiu por ela ser indiana, sobre sua dificuldade em fazer amigos franceses, e outras tantas dificuldades, que ela em momento algum considerou ser choque cultural.

   Quando ela terminou de contar sua experiência, olhou pra mim e disse:

- Temos aqui a Mik!! A Mik é brasileira, então ela vai nos contar sobre suas dificuldades aqui na Índia.

   Na hora pensei:

- Falo a verdade? 
  
    Respondi:

- A minha grande dificuldade, além da língua: Hindi, é que não sou indiana. (nesse momento todos fizeram cara de... "é claro, se você é estrangeira, é porque não é indiana...)

   Mas continuei... peguei meu estojo e dei o seguinte exemplo...

-  Por eu ser Branca ( leia-se White/Branca como estrangeira, pois é assim que os indianos chamam a todos os estrangeiros, sejam eles brancos, azuis, amarelos, vermelhos, pretos, rosas, laranjas...) e não falar Hindi, esse estojo que para você custaria 200 rupias (7 reais), para mim custa 2000 rupias (70 reais). Se eu quiser comprar qualquer coisa que não esteja com o preço, olham para mim e me cobram cem vezes mais caro!! Mesmo quando vou comprar frutas (as melhores e mais saborosas são vendidas em barraquinhas nas ruas) eles me cobram muito mais caro do que o preço real. Hoje tenho ideia do preço de uma melancia, de uma maçã, e se percebo que estão tentando me roubar, desisto e tento comprar em outra barraca.

   Nesse momento todos fizeram comentários. Todos estavam chocados com o exemplo que eu dei. 
   Mesmo com campanhas, nas tvs e jornais, contra corrupção, que aqui é mil vezes maior que no Brasil, os indianos se dizem chocados quando falamos sobre esse assunto ou algo que os remeta a esse assunto. Enfim, também não gostamos quando falam mal do nosso Brasil... mas o melhor - mesmo - veio depois, quando a professora perguntou (com cara de espanto):

- Mas você não tem uma empregada que possa comprar as frutas para você?!?! Por que você é quem faz as compras?!?! (importante entender que para os indianos, pessoas que moram no bairro que eu moro são consideradas ricas, e - culturalmente - por serem ricas não fazem suas compras, mas - sim - mandam fazer.)

    Respondi:

- Sim, tenho uma pessoa que me ajuda em casa, mas prefiro eu mesma fazer minhas compras. Gosto de escolher o que vou comprar para comer.

  Então ela me veio com a seguinte resposta:

- Ah sim!! Você tem uma empregada (suspiro de despreocupação)... Melhor você mandar a sua empregada fazer as compras. Porque nós sabemos que ela também irá dizer que o preço da fruta é mais caro do que ela comprou, mas pelo menos ela te roubará menos do que você está acostumada a ser roubada.

    Agora quem estava em choque era eu. Então você, indiano, fica chocado quando eu digo que no seu País já me acostumei a ter que barganhar até conseguir o preço que realmente vale para pagar numa melancia, quando na verdade você sabe que se eu não barganhar certamente pagarei 100 vezes o valor dela?! Mas eu tenho que achar normal minha ajudante ficar com algum dinheiro porque é normal eles levarem algum!?!

    É... a Índia e suas "dificuldades". Por que será mesmo que Cabral achou que estava chegando a Índia quando descobriu o Brasil? Seria ele algum tipo de Nostradamus?! Sim... Sem muitas comparações, porque de santos não temos nada...

   Depois me perguntam... "Por que você não aceitou a ajuda de moça que queria colocar sua meia?!"

    Porque na Índia nada é de graça (?)!!



Ps.: Para a professora? Falei meia verdade, a outra metade achei melhor omitir.













quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Kya main apki madad kar sakti hoo?

Por Mik

Quase ninguém sabe, mas no último domingo consegui tirar um pedaço da ponta do meu dedo. 
Estava eu, lavando um copo, linda e loira, quando o mesmo quebrou na minha mão. Também não sei como consegui tal proeza. Fato é que minha pressão baixou e quase desmaiei. Era muito sangue que saia do meu dedinho...
Bem, fiz o curativo, descansei por 30 minutos e já estava tudo bem.

Mas o motivo do meu post não é contar o drama do meu dedo, mas sim, falar sobre mim, e contar sobre uma senhorinha que trabalha na academia que eu malho.

Já falei em outros posts que aqui na Índia, com tantas pessoas por metro quadrado, existe todo tipo de "profissão". Tem gente para tirar o lixo, gente para varrer o chão, gente para passar pano no chão, gente para calçar seus sapatos, gente, gente, gente... Tá certo que em alguns lugares quem varre o chão, também passa pano, mas não necessariamente pode calçar os seus sapatos.

Na minha academia tem uma senhorinha muito gentil, que só fala Hindi... talvez fale Marathi, também. Ela trabalha lá, no vestiário feminino.
Todo dia que vou malhar, primeiro subo para ir ao vestiário, colocar minhas meias, meu tênis e guardar minha bolsa no armário. 
Essa senhorinha sempre fala comigo, conversa horrores, mesmo eu já tendo dito que não entendo o que ela diz... parei de repetir que não entendia depois do meu 6 mês de academia...

Segunda-feira, quando fui malhar, ela viu o curativo no meu dedo e falou algo em Hindi que eu não entendi. Como eu estava descendo as escadas enquanto ela varria o chão, balancei minha cabeça ao modo indiano de ser, dizendo... "está tudo bem."
Já na terça-feira, enquanto eu, com certa dificuldade, tentava colocar minhas meias, ela me perguntou...
"Kya main apki madad kar sakti hoo?" Eu mesma não entendi nada. Então ela repetiu...
"Kya main apki madad kar sakti hoo?" e nesse momento apontou para meu pé.

Pensei... "Ela deve estar me perguntando se pode me ajudar..."
Bem, mesmo ela sendo uma querida, não aceitei...

Quando, em 1 segundo, decidi não aceitar a ajuda dela, não foi porque eu não precisasse, mas sim porque tenho tentado a aprender a lidar com A disponibilidade indiana... Muitas vezes não aceitando ajuda.

Explico com uma pequena história...
Cena: Eu com 4 sacolas de compras na mão. Dois senhores, em pé, conversando no hall de entrada, esperando o elevador chegar. Uma pequena sacola encostada na parede ao lado da porta do elevador, e um rapaz, possivelmente o motorista de um dos senhores.
O rapaz estava a espera do elevador, para só e somente só, pegar a sacola do chão e colocar dentro do elevador. Temos ai um choque cultural? Não sei... só sei que o senhor que segurava uma pasta em uma das mãos, poderia muito bem pegar a pequena sacola do chão e colocar dentro do elevador.

Confesso que a "disponibilidade" dos indianos as vezes me constrange, me inibe, me encabula mesmo.

Pensando nessa e nas "muitas" histórias que vi e vivi aqui na Índia.... Já não sei mais quando oferecem ajuda... por gentileza, porque é função desse ou daquele sujeito, ou porque esperam ganhar algum dinheiro. 
Na dúvida acabo não aceitando. Mas o maior motivo de não aceitar, e as vezes chegar a lutar contra, é que não quero me mal acostumar. Um dia deixarei a Índia e espero levar daqui o que de melhor ela tem me dado... a possibilidade de repensar minhas atitudes, meus valores e agradecer pela educação que meus pais e meus padrinhos me deram. 

Temos ai (?) um possível contraste entre o "meu mundo", e esse mundo tão diferente que tenho encontrado a cada dia.... mais parecido com Deus Caos, também conhecido como Índia.

Então fica a pergunta... em meio a tanta beleza, sujeira, misticismo e malandragem...  Kya main apki madad kar sakti hoo?



Ps.: Não sei se a senhorinha me ofereceu ajuda ou perguntou se poderia colocar minhas meias... mas perguntei para um querido amigo indiano como eu poderia dizer "Eu posso te ajudar?" em Hindi, e ele me disse que seria.... Kya main apki madad kar sakti hoo?





sábado, 31 de dezembro de 2011

Que venham os verdadeiros

Por Mik


    Último dia do ano. Todos estão a desejar que você seja diferente para que assim tenha um ano diferente... 
  Pudéramos simplesmente mudar, e tudo estaria resolvido. Entretanto vivemos em sociedade, minha ação irá gerar uma reação, mas que não necessariamente será uma reação positiva para mim. 

    Então venho aqui desejar muitos aprendizados. Afinal acredito que estamos no aqui e agora, aprendendo. Certa de que não só de flores são feitos os nossos caminhos, mas também de espinhos. E como disse o poeta... "espinhos são flores que não desabrocharam."



   Posso dizer que em 2011 a Índia me mostrou que ela é feita desses espinhos. Estamos rodeados de flores que se machucam e machucam quem chega perto.
    Tento entender, e não receber o choque cultural como algo ruim para mim. Realmente tento, mas confesso que ainda não cheguei nesse nível de desprendimento - como diria nossa querida Denise.
   Por isso deixarei em 2011 os relacionamentos falsos e interesseiros, e levarei para 2012 os verdadeiros.
    Porque mesmo sabendo que de interesse - toda e qualquer relação é feita, também sei que toda e qualquer relação só se mantém através da troca de afeto, respeito, compreensão e companheirismo. 

    Assim, desejo a todos...
    Que a inveja, a avareza e o desrespeito fiquem em 2011.
  Que as verdadeiras amizades se mantenham e as falsas se desafaçam.
   Que a troca seja sincera e verdadeira, de forma a fortalecer os laços dos belos presentes que ganhamos em 2011 e antes dele.

    Muita luz, tranquilidade e paz em 2012.

    Que venha um ano de muitos aprendizados e várias realizações.
  Só rezo a Deus pedindo que meus sentimentos de Pollyanna continuem, para que assim eu não enrijeça e pare de acreditar na beleza de Ser Humano.



Que venham os verdadeiros!!

Feliz Ano Novo!!






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Respeito (?)


Por Mik

Ok. Brasileiro também faz as coisas pela metade... mas estou pra enlouquecer com os eletricistas daqui.
Após um mês de "trabalho" para arrumar a parte elétrica do apartamento, os problemas ainda existem. Dá vontade de mandar botar fogo em tudo!!
Agora você pode sair de casa? Você pode organizar seu dia?
Não!!
Porque hora para chegar não existe, existe sim um talvez. Talvez eles apareçam na manhã de terça-feira, talvez eles apareçam na quarta... talvez eles apareçam...
E eu que reclamava que a Casas Bahia não tinha respeito com o cidadão porque marcava período para entrega e não horário. (?!?!)
Pelo menos eles apareciam no período marcado!
Ok, no Brasil também temos desrespeito, falta de ética, falta de comprometimento no trabalho, etc...
mas fato é... o que faz a Índia diferente do nosso Brasil?
Te digo... acho mesmo que a grande diferença está no seguinte pensamento...
"Mas isso é Índia!! São milhares de anos, bilhões de pessoas... não lute contra isso, você certamente irá perder. Aceite as coisas como elas são e você não irá sofrer."
Do tipo... medite sobre isso. Treine a respiração. Faça Yoga. Leia um livro... e aproveite para esquecer qualquer tentativa de mudança. Não vai dar certo!
Talvez esse seja nosso maior aprendizado aqui, aprender a lidar com o falso e acreditar que ele é "verdadeiro".
Porque se todos acreditam e aceitam, por que você também não vai aceitar?! Tire vantagens, aprenda a ser esperto.

Deus me perdoe, mas eu odeio esse lugar!!


Então depois desse estresse resolvi escrever uma carta para o dono do apartamento....

Resultado da carta: O dono do apartamento me liga e marca uma reunião para as 11:30am e marca o eletricista para as 11am na quinta, 03.11.
Contexto atual: O corretor do apartamento me liga as 10:50am dizendo que o eletricista não virá e que o dono do apartamento quer confirmar a reunião das 11:30am, marcada ontem ao telefone.
Confirmei a reunião.
5 minutos depois o corretor me liga dizendo que o dono do apartamento não poderá vir as 11:30am, mas que pode ir as 12:30pm, tudo bem?
Então me lembrei que hoje faz um ano do nosso contrato de aluguel e que mais uma vez Brasília atrasou o pagamento, ou seja, não pagaremos a anuidade do aluguel hoje... assim como não pagamos ano passado, porque mais uma vez... quem mora na Índia tem mais é que esperar e meditar!! Né Brasília?!




Moral da história:
1. Se o dono do apartamento não consegue respeitar um horário marcado com um dia de antecedência, por que o eletricista teria que respeitar mesmo?!
2. Se você atrasou 2 dias o pagamento da anuidade de 2010 - 2011, porque Brasília acha que você tem mais é que esperar... e vai atrasar 7 dias - ou mais - a anuidade do aluguel de 2011 - 2012, por que mesmo que eu tenho que respeitar você?!



Medita Michelângela!! Espera e medita!!