domingo, 5 de setembro de 2010

Quem merece?

Por Mik

Hoje acordamos e decidimos almoçar no Tetsuma - já jantamos lá; comida muito boa e lugar agradável - e depois fazer compras no Nature's Basket - é "O" lugar no qual fazemos nossas compras de mercado, tipo  um Oba na Índia.
Tetsuma
Tetsuma

Já que estamos sem carro, fomos a pé.

A caminho do restaurante encontramos nosso amigo corvo. Já falei sobre eles?

Eles são parte de Mumbai. Não existe um só lugar que você vá que não tenha um único corvo.  A primeira vez que ouvi falar sobre eles aqui, foi quando nos mostraram a direção da Torre do Silêncio.

A Torre do Silêncio, ou Dakhma, é onde são colocados os corpos dos parsis (seguidores do zoroastro) falecidos para que sejam comidos pelos corvos. Tem quem diga que já viu pedaço de gente que o corvo catou e deixou cair...

Bem, depois dessa rápida e digestiva explicação... vamos continuar...

Quem merece estar caminhando pela rua e se deparar com um rato morto? e com um corvo comendo um rato morto como se fosse o sashimi mais gostoso?!?!

Ninguém merece!!!

Ainda bem que o japonês tava fechando e que moramos bem longe da torre do silêncio!!

Ps.: Fomos comer no Café Basilico, um bistro italiano delicioso!



6 comentários:

  1. Coisas que só a Índia faz por você!

    ResponderExcluir
  2. Hmm, que delicia! O bistro, claro. O corvo deve ter gostado tambem, mas deixa esse cardapio sinistrinho pra ele.
    =)

    ResponderExcluir
  3. Só queria dizer que estou adorando ler. Continuem escrevendo...mmuuiiittoooo.....

    ResponderExcluir
  4. tipo, uma coisa estranha a cada esquina.

    ResponderExcluir
  5. Hummmmm... Zoroastro, só conhecia mesmo por nome. Parsis, nem por nome! Vou pesquisar mais sobre esses caboclos! Na facu, História do Direito, você descobre que foram raríssimos os momentos da humanidade em que se pôde pensar em morte sem sepultamento sem que se incorresse com isso em crime dos mais graves. Antígona tá aí de prova! Era sofrimento pra quem morria e pra quem permanecia vivo. Juro que enquanto ouvia o professor explicando isso tudo, pensava eu cá comigo mesmo que seria muito mais simples e prático se a crença fosse justamente o contrário - ser o certo deixar os corpos para covos, abutres, urubus (cada continente com o seu de direito). Numa vida passada, o que vocês me dizem?, eu vivi em Cabul, em Calcutá, ou no Canindé?
    Mas ratos, esses animais subversivos, dão de ombros para as convenções humanas sejam elas quais forem e saem morrendo em qualquer esquina. E os corvos, esses glutões, acham de fazer piquenique na primeira oportunidade que lhes aparece! Uma coisa!
    Mik, Johnson, eu tenho pra mim que esse foi o primeiro chamado que vocês receberam para um renovador jejum!!! ;)

    ResponderExcluir
  6. Sófocles, li na UnB! Eu, particularmente, quero por fogo na carcaça, me dá um dia e meio, e, se não levantar, casca! O lance é parece que a poluição e urbanização diminuíram a quantidade de corvos, falcões (vemos frequentemente!) então tá difícil pros parsis...grupo étnico-religioso que veio do Irã, fugindo da revolução islâmica, o Fred Mercury era parsi!
    O jejum, quebrei no 7 de setembro com um belo feijão indiano com arroz integral e peito de frango! E sem pimenta.

    ResponderExcluir